quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Papel do livro na vida das pessoas



Por: Elisabeth Camilo

Ouvi pela TV que o Brasil é um país onde não há o culto do livro, embora os preços tenham se tornado acessíveis. Que os pais deixam de dar livros para os filhos , mas oferecem jogos de videogame e cotas em clubes. Que os meninos e meninas não vêem as bibliotecas com bons olhos e sim como espaço de expiação e sacrifício, templo para nerds e jovens viciados em leitura. Isso é muito lastimável.

Em um programa do canal Management TV, um especialista em entrevistas para empregos relatou que a maioria dos candidatos para empregos considerados bons perdem suas chances nas entrevistas. Não sabem argumentar, expor ideias, defender opiniões. Têm vocabulário pobre, viciado em gírias e se enroscam nos clichês. No mesmo programa, um sociólogo acusa a pouca leitura desde a infância pelo grave problema dos mestrandos e doutorandos que perdem metade dos cursos tentando escrever o relatório de suas pesquisas e muitas vezes precisam recorrer a outros profissionais como redatores para concluir uma boa dissertação.

Eis o problema: livro é tudo mas não é considerado como essencial pela maioria das famílias brasileiras. O ritual da leitura diária de um jornal ou semanal de uma revista foi abolido na maioria dos lares e as bibliotecas públicas só são úteis quando professores pedem trabalhos de literatura ou de outro tema e expõem que os livros se encontram lá. Leitura por obrigação é sacrifício e tudo que é feito por dever não é prazeroso. Leitura precisa ser iniciada quando os bebês começam a descobrir o mundo, através das brincadeiras, dos passeios no parque, quando pai ou mãe conversam com os filhos sobre o que eles sentem ou vêem, o que eu vou chamar de leitura de ambiente. Há livros musicados e histórias que encantam. Se uma criança passa a amar livros, vai usar o computador também para ler os livros digitalizados e vai ler nas entrelinhas da pós-modernidade tudo que ocorre hoje em termos de mudanças de conduta e comportamento. Ainda vai levar um tempo para o Brasil chegar ao nível dos leitores médios mas para isso ocorrer, os adultos precisam de ser incentivados a lerem também. Filho de peixe é peixinho, então filho de leitor virará leitor também.

Fazer um bem para o Brasil doando um livro para um menino ou menina e dizendo para ele/ela que você leu e gostou talvez seja o maior projeto de cidadania que você estará engajado. Incentivar a ler é criar profissionais de elite para o futuro, políticos sérios e eleitores sábios, alunos exigentes e professores capazes de transformar o ambiente educacional de um país todo.

Disponível em: http://www.gostodeler.com.br/materia/10955/Papel%20do%20livro%20na%20vida%20das%20pessoas.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário